segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Apetece-me escrever, um poema..

Apetece-me escrever o silêncio
Que estou a sentir, perto,
Nesta pequena sala iluminada.
Desejava que fosse eterno.
Este som do nada
Que me consome inteiramente.

Algo me desperta os sentimentos
Tu. Outra vez, novamente
Confundes os meus pensamentos
As minhas palavras e o que sinto
Aqui. Neste espaço que tenho
Preenchido talvez? Não sei,
Já nem sei quem sou
Perdido neste rodopiar de sensações
Que me levam sempre que penso nelas
E me sacodem de vontade a todo o momento.
Mas eu sou livre
Mas estou preso a ti deveras,
Às palavras que escrevo e que escrevi
Contigo no pensamento, sempre.
Sonho contigo e imagino.
Tanto!
Porque não podes ser minha?
Porque tenho de ficar a ver esta nuvem passar
Este espectro de amor que deveras sinto
E desejo realmente sentir cada vez mais
Até à imensidão do calor do teu beijo.
Esse beijo que espero, espero
Como as folhas esperam o vento.

Acorda-me amor deste sonho lindo,
Desta brisa que me aconchega a face
E me diz cada dia da minha vida
O quanto penso em ti e te adoro!

sábado, 17 de outubro de 2009

Moi

Eu, o mais pequeno ponto do universo. Sempre despercebido no meio de infinitas multidões. Sempre afastado dos problemas que sufocam o mundo e das mentiras que como setas flamejantes queimam o vazio. O tempo, parcialmente interrompido, começa agora a avançar sem me dar tempo de calçar as botas. O rio que outrora fora largo e fundo parece ser agora três lagrimas perdidas num murmurio desperso. A felicidade que, abraçada pela ignorancia, se fazia sentir, existe, mas fraca, como o bater do coração de um pássaro que acabara os seus dias de liberdade e desfrutava do ultimo sopro de vida. Os meus vicios, que nunca foram de se repreender, tornaram-se agora complicadamente severos. Eu sei, que saber não chega. Eu sei que estou a cair na dura realidade e o efeito desta droga, a ignorancia, está a passar. Temo, porque temer faz parte. Essa hora chegou...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Amor? Passou...

Tanta vez olho o passado
Que já me cansei de olhar
Sinto-me já tão pesado
Que penso mesmo em parar

Já nem sei quem sou
Nem quem devo amar
Tento segurá-lo, mas passou
Aquele sopro de ar

Eu sou real e aguento
Esta vida tão condescendente
Que percorre o temperamento
E que quase facilmente
Nos obriga a gritar
Aquilo que imaginamos
E nos faz acreditar
Naquilo que odiamos
E passamos a amar completamente

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Os olhos são o espelho da alma

Quando os meus olhos tocam os teus
O mundo muda, transforma-se
Mais depressa, lentamente.
Uma sensação que diferencia
Qualquer outra sensação
Difícil de descrever
Uma ânsia descomunal
Senti o teu toque inteiramente
Unimos as nossas mãos
Entrei no teu mundo

Quando os meus olhos tocam os teus
O mundo do pensamento
O pensamento distante, não meu
Um som vindo de ti
Um toque, divino

Quando os meus olhos tocam os teus
Fecho os olhos, não por muito tempo
Porque o que quero é olhar apenas.
Olhar para ti, sem medo, sem receio
Abstraio-me de tudo, concentrando-me
Apenas em ti, um forma.

Quando os meus olhos tocam os teus
Penso em como o Mundo é belo,
Sinto um amor sem comparação
Nem mesmo ao Universo
Nem mesmo ao Infinito

Quando os meus olhos tocam os teus
Flutuo no espaço mental
Num mundo que não o real
O poder leve recai em mim
Procuro a cor, a cor dos teus olhos
Comuns, mas não comuns

Quando os teus olhos tocam os meus
O olhar não chega.
O esperar e demais, demais para um ser como eu
Um ser fraco, humilde e apaixonado.
Os nossos olhos tocam-se
E ao mesmo tempo desejo
Que o mesmo se passe com as mãos
Para sentir o macio, o quente e o suave
Do simples toque teu

Quando os meus olhos tocam os teus
As nossas cores unem-se
Formam-se numa só
Um aglutinado de sensações
Puras, coloridas...

Quando os meus olhos tocam os teus
O verde, dos meus olhos é insignificante
Comparado à divindade dos teus

Quando os meus olhos tocam os teus
Voar não chega e parar é atroz
O querer é relativo. Os poemas,
Não conseguem exprimir
Nem metade do que estou a sentir
As palavras não saem como quero
Tudo isto somente apenas
Porque os meus olhos tocaram os teus.

"Eu vou e não volto"

Toco-te e sinto talvez
Algo forte e abstracto
Como que pela primeira vez
Sinto-me leve e compacto.

Os teus lábios doces, são
Momentos de espectativa,
De paixões. Sem razão
Sentes-te dividida

Pelo amor solto
E rejeitas-me tanto.
Ouço sem espanto
"Eu vou e não volto".

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Por mim ficava

É a maneira como me senti
Pensamentos, talvez dois ou cem
Preciso de ti
E tu sabe-lo bem

Sabes o que sinto
E o que sinto não acaba
Fujo para longe deste recinto
Mas sabes que por mim ficava

É a maneira como sou
E isso não posso mudar
Não posso mudar o que se passou
E por isso não posso parar

Desculpa

O tempo dói tanto
Faz feridas que não saram
Não sei se choro, se canto
Mas as gotas não param

As pessoas pensam
Com o pensamento apenas
Com o coração lembram
Fracções pequenas

Eu uso o coração
E bem sei que ele mente
Mas gosto da ilusão,
Sinto-me frio e quente

Fecho os olhos por instantes
Mas só consigo pensar em ti
Queria voltar atrás agora, antes
Pois sei claramente que menti

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Falso

Aqueles que criam a ficção,
Amor, que nem sequer acontece.
Sentem apenas uma atracção,
Cegueira, que não se esquece
Pensam que são a imensidão
Contudo, mais fragmentos parece
Excertos de algo que jamais serão
Nessas criaturas esse sentimento não permanece

Existir

Sei que não existo realmente
Para existir e preciso viver
E isso sei que não faço claramente

Não vivo verdadeiramente
Graças ao bater do meu coração
Bater fraco e sem paixão
Que me abandona tristemente

Sou

O poeta verdadeiro
Não entoa versos perdidos
É entoado por versos esquecidos
Que o consomem a tempo inteiro