quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Livros e Livros numa estante

Livros e livros numa estante.
Muros de olhos que me olham nesse instante,
Não sinto cansaço, não sinto dor.
Tudo o que quis resume-se ao Amor.

E entra um vento revoltado pela minha janela,
Não fica. Desmancha-se em saudade e contentamento
Como tudo na Natureza, essa sentinela
Do mundo, cego de sofrimento.

E se sentir é gosto
Não sou mais que sentimentos
Apenas o mar em Agosto
Que já por si só é tanto, em tantos momentos.

Uma âncora no cimento rasgado
Segura-me no Planeta consumido
Onde escrevo com o meu lápis lascado
Poemas de quem se sente perdido.

Na cidade onde sou consumido alegremente
Como as lógicas das coisas intensamente ligadas,
Ainda aqui está o vento, mas não traz o cantar das cigarras
Nem o calor duma dimensão natural consistente.

O tempo não interessa em relação à sensação,
Pois ela é eterna e real como as cores do mundo,
Embora esteja perdido lá no fundo.

Que perfume. Afaga-me o olfacto.
Sinto-me bravo e nostálgico,
Por entre rios de fumo de tabaco.

Imagino a guitarra, tocada pela madeira da árvore.
Na sua musica suave que tem tudo em si.

O invólucro de papelão que me envolve
Numa fina camada de frio
Rouba-me do planeta e não me devolve,
Prende-me sorrindo num frenesim e num demente fastio.

E a culpa, essa é toda minha!
De ser menos do que o limite do menos infinito
E de ser roubado por mim mesmo num delito
Mas nada me leva, pois nada tinha.

Esta sala fechada neste silencio inconsequente,
O silêncio de pensar nela, aquela mulher
Aquele brilho de noite que quase se sente

E se eu morresse, que fosse agora.
Consumido pela tristeza de ser tão ignorante
E de contar todos os segundos daquela hora
Em que me olhaste nos olhos num instante.

Escrevo devagar como um rio de verão.
Nem quero ir mais depressa.
A minha casa é tão longe do meu coração,
Que já nem me interessa.

Quando me perguntam o meu destino
Morrerei.
Se ficasse vivo seria sozinho,
À espera de alguém que não esperei.

Nas minhas mãos estão os meus devaneios.
Na minha alma os desencantos.
No meu coração os encantos.
Os meus olhos, abandonei-os.

O Diogo, o poeta!
O miserável menino
Que nunca chega à meta,
Pára, porque se sente sozinho!

A despedida.
Tão amarga e perspicaz,
Como o sorriso da minha vida
Chorado pela balada que me satisfaz.

E dizer Adeus na noite,
A quem nunca conheceste.

O sol não me ajuda, nem a Lua.
Não me ajudam, o Mundo das pessoas.
Sofrem comigo sem querer saber de mim.

Elegância pintada nesse poema
No livro de folhas secas castanhas
Como no teatro aquela cena
Feita de falas que não são estranhas.

E se eu fosse o vento colhia todas as flores
E todos os cheiros do mundo Natural.
E soprava no teu rosto os meus amores.

Se eu fosse o vento da liberdade,
Solto no prado dos teus cabelos.
E o sol que ilumina esta cidade
Espelhado nos teus olhos belos.

E eu sou feito de lembranças.
E vivo-as.
No sonho do infinito
Onde brota o orvalho da manha em que foste minha.
Da onda revolta em espuma na areia branca de um sorriso.
Não existem falsas esperanças.
Nego-as.
Um vento esquisito.
No frio de um inverno que não vinha,
Esboçado nos olhos de quem amo e preciso.

E se sonhei com o encanto,
E o encanto é natural,
Não devo nada ao mundo afinal.

Se morrer, serei esquecido.
E se morrer, esquecerei.

Sonho contigo aqui na minha brisa.
Não vens. Ficas gelada num sorriso infinito,
Mas não choro, perdoo, neste sonho bonito
De quem finge que não ama e não precisa.

Eu não sei ao que me agarrar.
Nem sei ao que me poderia agarrar.
Tudo o que quero não faz sentido,
Pois nada teve retorno sem ser na minha mente.
Nunca me despedi do que foi vivido,
Será que nos esquecemos quando já não se sente?

O passado é meu no entanto
Porque ninguém o vive mais do que eu.
Se sonhei fui real portanto,
No traço de carvão que é meu

No final regressei à Natureza tão subida.
Para te encontrar, a minha réplica.
O destino, seremos nós, nesta e na próxima vida.

Não vou sofrer, pois o que é certo foi encontrado.
Esteve sempre aqui, num grito de se refrescar no completo.
Rezo para que leve comigo o teu sorriso concreto,
E que te lembres dos meus olhos nas estrelas do teu quarto.

No dia em que te levar comigo não serás minha…
Minha só o foste uma vez, sem nunca o saberes.
No meu sonho.

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