Todo o som desapareceu
Quando avançaste para mim
Olhei-te nos olhos
E todas as coisas não existiam
Era um sonho.
Deslizavam gotas na tua face
E conduziam o meu olhar
Para o traço horizontal
Dos teus lábios
Palavras no ar. Sons.
Tudo era vazio ao pé de ti
O tudo eras tu
Queria beijar-te, avançar
Mas não era prudente
Queria dar-te a mão
Mas a minha mão tremia
Mecanicamente conduzido
Por taças de vinho e de paixão
E o teu olhar consumia tudo
Mas então vi o teu sorriso
E lembrei-me das músicas
Das palavras que escrevi
Irreflectidas por sentimentos
Que tu própria me fazes sentir
E ao ver-te partir
Sem te poder dizer
Algo bonito e sentido
Fez perceber perfeitamente
Que tu não podes existir
Não pode existir algo tão perfeito
Não podes ser tão elevada
Mas se isso for verdade
Tu não serias uma mulher
Tu serias um anjo
Há palavras que nos beijam
ResponderEliminarComo se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperançar louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
(Alexandre O'neill)