domingo, 24 de janeiro de 2010

"I"

Todo o som desapareceu
Quando avançaste para mim
Olhei-te nos olhos
E todas as coisas não existiam
Era um sonho.

Deslizavam gotas na tua face
E conduziam o meu olhar
Para o traço horizontal
Dos teus lábios

Palavras no ar. Sons.
Tudo era vazio ao pé de ti
O tudo eras tu
Queria beijar-te, avançar
Mas não era prudente
Queria dar-te a mão
Mas a minha mão tremia

Mecanicamente conduzido
Por taças de vinho e de paixão
E o teu olhar consumia tudo

Mas então vi o teu sorriso
E lembrei-me das músicas
Das palavras que escrevi
Irreflectidas por sentimentos
Que tu própria me fazes sentir

E ao ver-te partir
Sem te poder dizer
Algo bonito e sentido
Fez perceber perfeitamente
Que tu não podes existir
Não pode existir algo tão perfeito
Não podes ser tão elevada

Mas se isso for verdade
Tu não serias uma mulher
Tu serias um anjo

1 comentário:

  1. Há palavras que nos beijam
    Como se tivessem boca.
    Palavras de amor, de esperança,
    De imenso amor, de esperançar louca.

    Palavras nuas que beijas
    Quando a noite perde o rosto;
    Palavras que se recusam
    Aos muros do teu desgosto.

    De repente coloridas
    Entre palavras sem cor,
    Esperadas inesperadas
    Como a poesia ou o amor.

    (O nome de quem se ama
    Letra a letra revelado
    No mármore distraído
    No papel abandonado)

    Palavras que nos transportam
    Aonde a noite é mais forte,
    Ao silêncio dos amantes
    Abraçados contra a morte.

    (Alexandre O'neill)

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